Budapeste para ver, comer e sentir


Budapeste é a capital e cidade mais populosa da Hungria, com cerca de 1,7 milhões de habitantes. A Hungria faz parte da União Europeia e do acordo de Schengen, ou seja, não é necessário tirar visto de turismo para quem vai ficar até 3 meses lá (mais informações). Apesar disso, é necessário o seguro viagem internacional com cobertura de pelo menos 30 mil euros.  A moeda do país é o florim húngaro, que pode ser trocado à taxa de aproximadamente Ft$315/€$ ou Ft$85/R$. Eu, particularmente, prefiro utilizar o cartão de crédito e o saque nos caixas eletrônicos por questão de praticidade e para acumular milhas, embora também possa ser mais vantajoso financeiramente, mesmo levando em conta o IOF – dependendo da taxa de conversão do seu banco.

Diz-se que a Hungria foi fundada por povos nômades euro-asiáticos que se estabeleceram em suas planícies por volta do final do século IX. Não me surpreende que tenham escolhido o local, pois o clima é bem mais agradável que em boa parte do resto da Europa, com temperaturas bem confortáveis nas estações intermediárias. Para um turismo sem perrengues, eu indicaria, sobretudo, os meses de abril, maio e setembro, que são meses nos quais as coisas estão abertas – muitas coisas na Europa ficam fechadas entre outubro e o final de março.O clima estará ótimo e você foge da parte mais chata da alta temporada, que é quando tudo fica cheio de filas intermináveis e fica quente demais para ficar o dia inteiro andando ao ar livre e pegando transporte público(sempre lembro do cheirinho dos ingleses no metrô de Londres, um trauma que passei em pleno outono do mar do Norte!).

A cidade fica a cerca de 6 horas de Praga e a 3 horas de Viena de ônibus. Escolhemos ônibus, pois o tempo de viagem era praticamente o mesmo que o de trem, mas as passagens ficavam muito mais baratas – custavam algo entre 15 e 30 euros. Os ônibus são incrivelmente confortáveis – com wi-fi funcionando em parte do percurso, filmes disponíveis tal como em avião e cadeiras bastante reclináveis. Utilizamos a companhia StudentAgency , mas acredito que é possível encontrar outras companhias na internet ou lá mesmo, mas é bom comprar sempre com alguns dias de antecedência, já que as passagens nos melhores horários costumam acabar antes. O transporte público na cidade é barato – tem o preço próximo ao das capitais brasileiras –, eficiente e simples. Há ônibus, metrô e VVTs (veículos velhos sobre trilhos). Em nosso período na cidade, só não usamos o último modal – não estávamos particularmente nostálgicos.

Um dos passeios mais legais de Budapeste é andar de barco pelo Danúbio, o rio que corta a cidade de norte a sul e, historicamente, separou Buda (a parte a oeste do rio) de Peste (a leste), cidades que só foram unificadas em 1849. Do rio é possível ter uma vista maravilhosa de cidade que me pareceu uma das mais belas do mundo, sobretudo em torno do Danúbio. Os destaques são o Parlamento de Budapeste (em Peste) e o Castelo de Buda, uma construção erguida sobre um morro que abriga vários lugares obrigatórios para visitação – aos quais retornarei mais à frente. No entanto, toda a extensão do passeio possui edifícios e vistas belíssimas.

 
 

Eu e Tati, minha companheira de viagem, preferimos fazer o passeio à noite em um esquema que tinha bebida liberada no barco e nos levavam para outra festa depois, a discoteca Instant, com ambiente descolado e decoração de floresta encantada. O lugar é divertido, tem muitos ambientes e pelo menos três andares que eu lembro, um verdadeiro labirinto psicodélico com imagens de animais híbridos e um leitão de mosaico de espelhos pendurado no teto em um dos ambientes, substituindo as tradicionais esferas de discoteca.

Eu nunca faço boas noitadas quando vou na Europa. Na minha opinião, somos campeões do “soft night”. Acho que a Europa só ganha do Brasil naquelas festas mais hardcore que mais comumente acontecem nos Países Baixos, na Bélgica e na Alemanha. Em geral, não encontro lugares legais na Europa para sair à noite e, quando encontro, acho as pessoas muito reservadas. Acho que a Europa só fica mesmo animada à noite no alto verão. Curiosamente, achei a Instant um bom lugar para se divertir – beber, dançar e conversar, com muitos espaços bons para cada uma dessas coisas – e até fomos abordados por uma húngara simpática que pediu um lugar à “nossa” mesa e ficou conversando um pouco conosco – em inglês. Também é um dos poucos lugares abertos nos dias de baixo movimento. Geralmente bebíamos a cerveja local mais comum, a Dreher, que é bem mais gostosa que as nossas cervejas tradicionais.

 

Recuperados da ressaca, bate aquela fome. De maneira geral, a comida em Budapeste é barata. Aproveitem para comprar Lindt e outros chocolates de marcas europeias por cerca de ¼ do preço pelo qual eles são vendidos no Brasil. Para experimentar a comida local, nada melhor que o mercado da cidade, o Mercado Central Központi Vásárcsarnok. Além de ser um típico mercado municipal, com queijos, carnes, temperos, etc., o segundo andar possui restaurantes e lojinhas de souvenir, bolsas e outras bugigangas. No mercado, almoçamos no restaurante Fakanál Étterem (não me pergunte como se pronuncia isso), no segundo andar. O restaurante oferece música ao vivo, um ambiente agradável e limpo e uma comida gostosa – goulash, claro – por um preço razoável.

 

O prato mais típico na Hungria é o goulash que é, basicamente, um ensopado de carne assada macia e bem temperada servido com batatas ou uns bolinhos feitos de Deus sabe o quê – acredito que sejam de batata e/ou de miolo de pão e outras coisitas mais (melhor não questionar muito). O prato é delicioso e também tem a versão em sopa que cada lugar serve com uma seleção distinta de legumes. Nunca cansávamos de pedir goulash. Também é uma coisa que você pode ter certeza que eles já estão acostumados a fazer há muito tempo. Já se você pedir feijão com arroz, corre o risco de ouvir um daqueles muxoxos de europeus (tipicamente) mal humorados e ser servido com alguma porcaria queimada ou mal temperada. Não que eu tenha achado os húngaros especialmente mal humorados nesse contexto europeu, muito pelo contrário.

Em frente ao mercado fica a rua Váci (Váciútca), que é boa para fazer compras de souvenir e roupas. Se você seguir por ela até a rua Szabadsajtó, pode pegar um ônibus para atravessar a ponte Elizabete (Erzsébethíd) e chegar a um parque elevado onde fica a Estátua da Liberdade (Szobor Szabadság) – um monumento de 1947 à libertação do domínio nazista pelo exército soviético. A Hungria inicialmente apoiou Hitler na segunda guerra, tentando reunir apoio para recuperar os territórios perdidos na primeira guerra (cerca de dois terços do território antigo), mas o exército do Eixo ocupou Budapeste após tratativas do país com os países Aliados. Posteriormente, a Hungria sofreu a ocupação soviética, que durou até 1991. O fim desse último período parece ter dado novo significado ao monumento para os húngaros. O parque é um ótimo lugar para fazer um passeio fitness – pero no mucho– e tirar fotos com vistas privilegiadas da cidade, mas não considero um must para quem tem pouco tempo lá.

Colina Gellért
Colina Gellért
Colina Gellért
Estátua da Liberdade
Ponte Elizabeth

Bem próximo ao parque, ao norte, fica um morro que carrega conjunto de edificações genericamente identificado como Castelo de Buda. Todo o local é maravilhoso e, se o clima estiver bom e você for alguém que adora um passeio contemplativo, aconselho fazer tudo a pé (também é possível pegar um elevador que te leva direto ao “core business” do local). Todas as construções são esplêndidas e a cada 10 passos você encontra um edifício curioso para entrar, um lindo chafariz, uma bela estátua ou um jardim encantador. É um dos lugares que eu mais gostei de ir na vida! Lá no topo, back to business, você chega a um enorme pátio com uma porção de lugares bem bacanas para visitar: o Museu Histórico de Budapeste, o Galeria Nacional Húngara – um museu de arte – e a Biblioteca Nacional. Não fomos à biblioteca (não entendemos uma palavra desse diabo de língua! Com exceção de “útca”, que qualquer ser humaninho com QI de dois dígitos, menos eu, que precisei de um toque da Tati, se dá conta de que só pode significar “rua”!). Partimos direto para os museus, que são ambos interessantíssimos e valem muito a visita.  O museu histórico traz muitas informações sobre a cidade desde sua fundação e, consequentemente, sobre a Hungria. Somente pode perder esse quem odeia, detesta, realmente ABOMINA museus e/ou história.

Vista do Palácio de Buda a noite
Vista do Paláci de Buda e do Danúbio
Complexo de edificações do Palácio do Buda

A norte do castelo existe outro complexo de edifícios, monumentos e vistas imperdíveis compostas pelo Fisherman’s Bastion (Bastião dos Pescadores), a Matthias Church (Igreja Matias) e a estátua do Santo Estêvão da Hungria (o primeiro rei da Hungria; não confundir com Stephen King). Atrás da igreja e ao lado direito da estátua do rei tem uma portinha na muralha com uns cartazes onde é possível assistir a um filmezinho em animação 3D bacana sobre a história da Hungria resumida em 15 minutos. É pago, mas eu achei que vale a pena para quem não conhece nada sobre a história da Hungria e gostaria de conhecer.

A igreja foi inicialmente construída em 1015 fundada pelo caboclo no cavalo na estátua de fora. No século XIII, a igreja foi destruída pelos mongóis (que viajaram um bocado, diga-se de passagem), que sequer deixaram vestígios da antiga igreja. A construção atual foi feita no século XIV, em estilo gótico. É belíssima e se você pretende visitar pelo menos uma igreja em Budapeste, que seja essa. A igreja possui muitas obras de arte sacra bem antigas em seu interior. É uma igreja bem escura por dentro, mas depois que seus olhos se acostumam com a carência de luz, você começa a perceber quão rebuscada ela é.

Nós, trouxas que só, compramos um ingresso conjunto que dava acesso à igreja e ao Bastion. Achamos que estávamos fazendo um negócio da China por não comprarmos o terceiro passeio, que seria apenas mais um mirante acessado por elevador. Ledo engano, o tal do Fisherman’s Bastion nada mais é que uma partezinha da muralha que você sobe pela escada ao lado da estátua. Sim, eles estão cobrando tipo uns 5 euros para você subir uma escada e chegar em um dos mil pontos com vista privilegiada da cidade (sobretudo do parlamento). A parte boa disso tudo é que nós éramos os únicos otários lá em cima. Consequentemente, era o único lugar que não estava lotado de turistas e conseguimos tirar belas fotos. Um pouco ao norte deste engodo, há uma parte da muralha mais alta e completamente gratuita onde tem um café e dá para tirar belas fotos também – mas é possível que você tenha que disputar um pouco o espaço.

Fisherman’s Bastion (Bastião dos Pescadores)
Fisherman’s Bastion (Bastião dos Pescadores)
Fisherman’s Bastion (Bastião dos Pescadores)
Fisherman’s Bastion (Bastião dos Pescadores)
Café do Fisherman’s Bastion (Bastião dos Pescadores)

Em Peste, duas atrações se destacam: o Parlamento e a Grande Sinagoga de Budapeste (conhecida como a maior e mais ornada da Europa). O Parlamento é lindo e abriga as joias da coroa húngara. É possível comprar ingressos para visitas guiadas em inglês, espanhol e outras línguas menos conhecidas pelos brasileiros. Aconselho comprar o ingresso antecipadamente pela internet – preste atenção nos horários.

 
 
 

Para a Sinagoga de Budapeste – que fica pertinho da estação Astoria do metrô –, você pode comprar o ingresso na hora e acho que vale a pena comprar o com visita guiada (em inglês), que oferece ótimas informações sobre a história do lugar. A Grande Sinagoga é um passeio muito legal para quem nunca foi a uma e se interessa por história, mas é interessante sobretudo para os judeus, que ficam bastante surpresos com o rebuscamento do templo, que destoa muito das demais sinagogas, que costumam ser bem mais simples.

Grande Sinagoga de Budapeste ou Sinagoga da Rua Dohány
Grande Sinagoga de Budapeste ou Sinagoga da Rua Dohány
Grande Sinagoga de Budapeste ou Sinagoga da Rua Dohány
Grande Sinagoga de Budapeste ou Sinagoga da Rua Dohány

Quem gosta de música clássica e/ou ballet deve conferir a programação da Ópera Estatal Húngara, que fica em frente à estação Opera de metrô e é uma bela construção inspirada na Ópera de Viena.

Essas coisas todas vocês conseguem fazer em cerca de 3 dias, a depender de quanto tempo vocês gostam de levar em cada uma das atrações. Não fomos a nenhuma das termas famosas que existem por lá, mas quem deseja fazê-lo sugiro reservar mais 1 dia e aproveitar para conferir a Praça dos Heróis e o restaurante Bagolyvár (bem próximo ao monumento). É isso aí, pessoal, espero lhes ter ajudado. Aproveitem essa cidade linda que tem muita diversão a oferecer. Quem tiver dúvidas ou coisas a acrescentar, por gentileza, nos mande um e-mail!

Por José Roberto Rosa Schirmer

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